Eita ano mais esquisito esse. Me senti meio voyeur da minha própria vida quase que o tempo todo; tenho impressão de ter sido daqueles espectadores que dorme na metade do filme e acorda meio que sem saber o que aconteceu. Parece que não foi comigo, que não é a minha vida. É difícil tentar explicar 2015 pros outros, é difícil explicar 2015 pra mim. Tudo isso pra explicar que, cara, fui uma péssima moça dos livros nos últimos 12 meses.
As leituras começaram de fato lá por Agosto e, salvo as exceções que entram no TOP 5, eu praticamente não consegui me empolgar com livro algum. Li muita coisa legal, mas elas não passaram disso, coisas legais, nada muito "MEU DEUS DO CÉU, QUE COISA INCRÍVEL". E, no fim, eu sei que o problema não esta nos livros, o problema sou eu. Ta, parece clichezão de final de relacionamento, mas a mais pura realidade.
Tudo dito, vamos então aos cinco livros excepcionais lidos nesse ano nada excepcional:
5. Meus documentos - Alejandro Zambra
Eu amo o Zambra! Amo desde que resolvi ler Bonsai por ser o livro mais curto que eu tinha no Kobo, amo ainda mais desde Formas de voltar para casa e achava que esse amor todo não podia ser maior até ler Meus Documentos. Quando você passa por uma das maiores turbulências da tua vida (e eu to sendo bem literal, li boa parte do livro num avião) e não consegue largar o livro pra entrar em desespero como o resto da galera, é sinal de que o bichinho é bom mesmo.
É estranho ver tanto de você em histórias que pouco ou nada tem a ver com a tua vida, mas, de alguma forma, eu encontrei um pouco de mim, das minhas vivencias em cada um daqueles contos. E que contos!!
4. Eu receberia as piores noticias dos seus lindos lábios - Marçal Aquino
Não sei bem por qual motivo, mas fiquei doida pra ler esse livro, doida a ponto de não encontrar na livraria, não encontrar o Kobo e baixar o epub no celular mesmo. Menos de 24 horas depois eu estava na cama, terminando o livro e quase tendo um treco de tanto chorar.
É uma história de amor dessas reais, super sensuais e tão tão tão bonitas que partem o nosso coração.
3. O filho de mil homens - Valter Hugo Mãe
O último post do meu "blog" é sobre ele, sobre tudo o que eu senti quando não tinha lido nem metade dele e só eu se o tanto que me arrependo por não ter escrito sobre o resto dele. Hoje eu sinto que eu perdi, que eu esqueci muito do que senti com ele e me da uma vontade gigantesca de largar tudo e ler de novo.
O Filho de mil homens fala sobre família, sobre amor, sobre solidão e, senhor, como ele fala sobre sofrimento. Tudo isso de uma forma tão delicada, tão bonita. Meu deus do céu, que coisa incrível.
2. A arte de pedir - Amanda Palmer
É com muita vergonha que eu digo que antes de A arte de pedir eu só conhecia a Amada "esposa do Neil Gaiman" e "moça das músicas esquisitas". Mas essa mulher é tanta coisa. Essa mulher é tudo!
Apesar de não ser a intenção, é difícil, depois de ler essa autobiografia, não querer ser um pouco Amanda. Amanda é maravilhosa, o livro é maravilhoso, as fotos são maravilhosas, as músicas são maravilhosas, tudo é tão maravilhoso que eu até comecei a enxergar muita coisa (artistas de rua principalmente) de uma forma mais maravilhada e comecei a me achar um tico mais maravilhosa.
1. Os miseráveis - Victor Hugo
Treze meses separam o dia em que eu abri esse livro pela primeira vez do dia em que eu o fechei pela última vez. Parece muito tempo. É muito tempo. Mas foi um tempo tão bem aproveitado que eu procuro nem pensar muito sobre isso.
Os miseráveis me deu tanto tapa na cara, me ensinou tanto sobre empatia, que eu quase chego a esquecer que Cosette e Marius são um dos casais mais chatos que eu já vi/li. Aliás, essa é a minha única reclamação. O resto é puro ensinamento, pura perfeição.
Em um dos meus devaneios da madrugada no twitter eu comentei que queria dar ele de presente pra pessoas que eu adoro, mas que pecam (e as vezes muito) nisso de olhar para o outro, mas que, de todas elas, somente uma realmente leria o livro. Talvez por ele ser gigante, talvez por ele ser clássico. Eu sei, essas coisas afastam mesmo a gente, elas me afastaram no comecinho da história e quase me fizeram desistir. Mas hoje eu trato ele como algo tão essencial que demore o tempo que for, por tudo que é mais sagrado, leia Os miseráveis.
*** Lembrando que a Fran, do Livro & café vai comecar em Janeiro a leitura coletiva dele (aka uma oportunidade incrível pra que precisa de um empurrãozinho) ***
Além dessas cinco maravilhas em queria fazer uma menção honrosa para Americanah e A mão esquerda da escuridão que são livros muito bons, mas que (acho) eu só não gostei mais por causa dessa mania horrível de criar umas expectativas quase que inatingíveis; ao livro da Capitolina que amei e quero dar de presente pra todas azamiga; a Olympe de Gouges que é um quadrinho biografia de uma francesa fantástica (e que me ajudou numa questão da primeira fase da UFPR hehe) e ao Sandman que eu comecei e praticamente acabei este ano (falta ler Entes queridos e Despertar, mas, se bobear, eu termino eles até o dia 31) e é em sua totalidade um dos quadrinhos mais fantásticos que eu já li.
Cabô textão literário!! Nos vemos em 2016 ;)




