quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O AMANTE

Considerado o livro mais autobiográfico da escritora, dramaturga e cineasta Marguerite Duras (1914-1996), "O amante", escrito em 1984, recebeu o Prêmio Goncourt, o mais importante da literatura francesa e se consagrou como sua obra mais célebre. O romance narra um episódio da adolescência de Duras: sua iniciação sexual, aos quinze anos e meio, com um chinês rico de Saigon. Se as personagens e fatos são verídicos, a escrita os transfigura e transcende; não sabemos em que medida a história é verdadeira. Os encontros amorosos são, ao mesmo tempo, intensamente prazerosos e infinitamente tristes; a vida da família contrapõe amor e ódio, miséria material e riqueza afetiva. A presença da mãe, sua desgraça financeira e moral, do irmão mais velho, drogado, cruel e venal, e do irmão mais novo, frágil e oprimido, constituem uma existência predominantemente triste, e por vezes trágica, de onde Duras extrai um esplendor artístico que se reflete em sua própria pessoa - personagem enigmática, quase de ficção. Tem sido dito que ler este livro é como folhear um álbum de fotografias - a narrativa se desenrola em torno de uma série de imagens fascinantes. Esse trabalho primoroso com as imagens também pode ser verificado nos mais de vinte filmes dirigidos por Duras e na possibilidade de seus textos se transformarem em filmes, como o fez Jean-Jacques Annaud com "O amante" em 1991.
Uma das melhores coisas que 2014 me proporcionou foi a descoberta do booktube. De gringos a brasileiros, muitas mulheres e poucos homens, gente que só lê YA, gente que detesta YA, gente que lê de tudo. O booktube me ajudou a sair da zona de conforto, aumentou consideravelmente o número de livros da minha wishlist e me proporcionou descobertas sensacionais.

Não sei se classifico O Amante como uma dessas leituras sensacionais proporcionadas por essa gente linda que fala de sobre livros no Youtube, mas foi, no mínimo, uma leitura envolvente. Me interessei pelo livro graças ao Clube do livro erótico e o passei na frete de outras dezenas da lista por ele ser curto e por ter planejado lê-lo de uma vez, nas duas horas e meia que tinha para "matar" no avião até Buenos Aires. Mas o cansaço me deixou perdida no inicio da história, me fez reler boa parte do livro até prestar atenção o suficiente e, no final, eu ainda tinha metade do livro por ler e nenhuma vontade de terminar a história.

Mas toda essa indisposição se deve, ao meu ver, ao novo e ao momento errado dessa "descoberta". O Amante mistura tempos verbais e flashblacks, tornando a leitura um tanto complexa e, apesar dessa não vontade de saber o resto da história, acabei (demorando, mas) terminando o livro que é absurdamente sensual e lindamente escrito.

O Amante é daqueles livros que tem tudo pra te agradar, mas que se o momento (ou, como no meu caso, também o local) da leitura não é apropriado, ele se torna apenas mais um mediano, numa lista onde possivelmente, numa segunda leitura, terá lugar de destaque.

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